2016: nunca se falou tanto sobre um ano, nunca se esperou tanto por um ano. Desde 2009, quando o Rio de Janeiro venceu a disputa para sediar os primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul, o ano de 2016 virou aspiração, marco, futuro. Os grandes projetos de infraestrutura, a preparação da cidade, as promessas de um Rio melhor, tudo apontava para 2016 — que já é hoje. Os dois primeiros Planejamentos Estratégicos da nossa administração, referentes aos períodos de 2009-2012 e 2013-2016, que definiram metas, estabeleceram prioridades, orientaram as nossas ações ao longo dos últimos oitos anos, tiveram como referência justamente o ano de 2016 na busca por uma cidade mais integrada e competitiva. E depois? Qual o Rio que queremos daqui para frente?

Antes de falar do futuro que virou presente, vale voltar um pouco ao passado. A cidade hoje olímpica, que já fora capital da colônia, império e república, passou décadas numa espécie de crise existencial após ser trocada por Brasília como centro do poder político do Brasil. Presa às lembranças de um passado glorioso que não voltaria, a cidade outrora maravilhosa isolou-se, perdeu o viço e esvaziou-se política, econômica e culturalmente.

“O Rio de Janeiro voltou a ganhar protagonismo no Brasil e no mundo.”

A oportunidade olímpica representou uma ruptura desse processo, uma virada importante na autoestima e na vocação da cidade. O Rio de Janeiro voltou a ganhar protagonismo no Brasil e no mundo. O lema da Prefeitura tem sido de que a cidade deve se servir dos Jogos em vez de somente servir ao evento. Isto é, com o pretexto olímpico, conseguimos tirar do papel projetos de infraestrutura, mobilidade, drenagem e urbanização sem relação direta com as competições e que representam benefícios para a população, principalmente a das regiões mais carentes.

De 2009 a 2016, trabalhamos muito por toda a cidade e para os seus 6,5 milhões de moradores. Demos atenção especial, porém, para os cariocas que mais precisam do Poder Público, para as áreas mais abandonadas pelas administrações anteriores, para o Rio que vai além dos cartões-postais. As Zonas Norte e Oeste receberam 2/3 de todos os investimentos. Além de áreas de lazer, como o Parque Madureira e o Parque Radical de Deodoro, levamos saneamento, urbanização, qualidade de vida para essas regiões. Ampliamos de maneira expressiva os serviços de educação e saúde. Em todo o Rio, mais de 300 novas escolas e o crescimento da cobertura de saúde em 20 vezes, saltando de 3,5% da população no início de 2009 para mais de 70% com acesso à atenção primária até o final de 2016.

Parque Madureira

 

 

Mais crianças na sala de aula, mais cariocas cuidando da saúde e um futuro com mais igualdade de oportunidades para o Rio e seus habitantes. Nesse projeto de cidade mais inclusiva, temos nos esforçado para encurtar não somente as distâncias sociais, mas geográficas também. Com 155km de corredores de BRT integrando as diferentes regiões, junto com o VLT do Centro e a expansão do metrô, teremos elevado o índice de cariocas usuários de transporte de alta capacidade de 18% para 63% até 2017. Melhorias que subiram as comunidades com o Programa Morar Carioca, que prevê a urbanização de todas as favelas até 2020, e atracaram na Região Portuária com o Porto Maravilha.

E, por falar em Porto, uma nova frente de ocupação e desenvolvimento da cidade foi aberta: uma área de
5 milhões de m2 na região central, onde o Rio cresceu e consolidou-se e que estava abandonada, hoje se revitaliza. A Perimetral, que impedia o encontro dos cariocas com a Baía de Guanabara, já não existe mais. A Zona Portuária viu surgirem o MAR, o Museu do Amanhã, a nova Praça Mauá, uma orla em pleno Centro do Rio, novos túneis e vias, ruas e imóveis recuperados, e principalmente mais e mais frequentadores e admiradores de uma região histórica e tradicional da Cidade.

É claro que, mesmo com a chegada de 2016, os desafios do Rio ainda são inúmeros e complexos. Há muito trabalho pela frente. Sendo assim, 2016 não deve ser encarado como o fim de um ciclo, mas como um início inspirador de um novo Rio, que pode e deve ser muito melhor no futuro. E é por isso que lançamos o projeto Visão Rio 500, para refletir sobre a Cidade que desejamos para os próximos 50 anos. Com um olhar no futuro, no Rio de 2065, é que apresentamos esta nova edição do Planejamento Estratégico para o período de
2017-2020.

 

 

Se nos outros planejamentos, a Prefeitura do Rio já havia saído em busca de estudiosos, acadêmicos e representantes da sociedade civil para construir em conjunto as metas e aspirações da Cidade, desta vez, o protagonismo da população é ainda maior. Em debates, encontros e através de plataformas digitais, cariocas de diferentes idades e lugares deram sugestões para o Rio do amanhã. Ao longo das próximas páginas, serão apresentadas iniciativas para melhorar educação, saúde, meio ambiente, mobilidade, cultura e economia da Cidade, cuja formulação contou com a participação dos maiores especialistas em Rio de Janeiro: os cariocas.

Depois de oito anos em que eu tive a honra e o prazer de estar à frente da Cidade mais incrível de todas, deixo de ser prefeito, mas continuarei desempenhando o papel que mais me orgulha, aquele que tem me orientado todos os dias: o de carioca completamente apaixonado pelo Rio de Janeiro. E é esse amor pela cidade compartilhado com outros 6,5 milhões de pessoas que me dá a certeza de que, juntos, faremos do Rio dos próximos 50 anos uma Cidade ainda mais maravilhosa.

 

Eduardo Paes
Prefeito do Rio de Janeiro