Introdução

O que a gente espera do Rio.

- Todas as crianças cariocas viverão em totais condições de equidade de oportunidades até 2040.
- Todos os jovens cariocas terão acesso a uma educação de excelência que garanta uma vida plena em suas escolhas, aspirações e potencialidades até 2030.
- Todo carioca se sentirá respeitado e terá acesso a oportunidades independentemente de suas condições econômicas, culturais, sociais, raciais, religiosas e de gênero até 2030.

Alto Valor Humano: Equidade de Oportunidades e Cidadania

Essa visão tem o ser humano e suas relações com os demais como ponto central. Não há como pensar em um futuro de longo prazo para a Cidade, sem olhar com atenção o desenvolvimento do ser humano, das pessoas que irão habitar e conviver nela.

Neste tema, são tratados:
- O desenvolvimento dos cidadãos desde o seu nascimento até o seu desenvolvimento durante a vida adulta.
- A equidade de oportunidades, com foco na redução de disparidades, e na relação de cidadania e respeito à diversidade.

A cidade é o reflexo do comportamento de seus cidadãos.

A cidade do Rio de Janeiro é reflexo do comportamento de seus cidadãos. Atitudes positivas de cidadania e de respeito ao próximo e à diversidade devem ser reconhecidas e replicadas, buscando construir uma cultura urbana de solidariedade e civilidade. E, assim, alcançar o sonho do Rio ter seu patrimônio humano valorizado.

Dessa maneira, podemos dividir esse tema em quatro subtemas:

 

 

 

 

Subtema 1: Promoção de um início de vida saudável e protegido para todos os cariocas

Quem chega ao mundo por aqui merece mais que uma boa recepção

Nesse primeiro subtema, o foco é a primeira infância e o período correspondente ao Ensino Fundamental, buscando identificar as condições para que o início da vida dos carioquinhas possa ser mais saudável e protegido.

 

 

 

 

O início de vida tem um impacto significativo no desenvolvimento das capacidades cognitivas e não cognitivas do ser humano. O desenvolvimento dos sentidos, da linguagem e das funções cognitivas tem seu ápice no período entre o nascimento e os primeiros dois anos de vida. Para seu pleno desenvolvimento, é fundamental que o cidadão carioca receba a devida atenção na sua primeira infância.

E, ainda falando de primeira infância, desde 2009, foram criadas cerca de 45 mil vagas no Município para Educação Infantil. Apesar dos recentes avanços, o Rio ainda caminha para a universalização da oferta de vagas, com expectativa de chegar a 60 mil vagas ainda em 2016.

As habilidades de desenvolvimento dos cariocas em creches tiveram avanços importantes nos últimos anos e, em alguns casos, podem ser comparadas às referências internacionais. Em coordenação motora ampla, por exemplo, para crianças com pouco mais de 1 ano, o Rio está em linha com a média internacional. Entre 2010 e 2012, houve melhora significativa em diversas habilidades e diferentes idades.

Apesar dos recentes avanços na oferta e na qualidade do atendimento infantil, ainda existem grandes diferenças regionais de cobertura que podem atingir valores extremos. Portanto, tratar questões como essa por meio de iniciativas territorializadas será fundamental para reduzir disparidades entre as diferentes localidades. O debate sobre o melhor modelo de educação na primeira infância é amplo e existem casos internacionais que podem inspirar a Cidade do Rio de Janeiro a aprimorar o seu modelo de atendimento na Educação Infantil.

Ainda no ciclo educacional da criança carioca, chegamos ao Ensino Fundamental, fase que compreende crianças dos 6 aos 15 anos de idade. Na Cidade do Rio de Janeiro, é possível observar que o Ensino Fundamental evoluiu de forma significativa nos últimos anos e se encontra acima da média nacional, segundo o Censo Escolar e avaliações de desempenho do Inep. No Ensino Fundamental I, que compreende do 1º ao 5º ano, o Rio tem nota média de 5,4 ante uma média nacional de 4,9. Já no Ensino Fundamental II, do 6º ao 9º ano, o Rio tem média de 4,4, enquanto a média do Brasil é de 4,0.

 

 

Ao observarmos mais atentamente as diferenças entre o ensino privado e ensino público, vemos que na Cidade do Rio de Janeiro o percentual relativo de alunos matriculados em escolas particulares é consideravelmente mais alto do que a média de outras capitais da região Sudeste.
Enquanto a média de alunos matriculados em escolas particulares no Ensino Fundamental I em São Paulo é de 27%, no Rio esse número chega a 35%.

 

 

 

 

Subtema 2: Exemplo de preparação no século XXI

Educação nos novos tempos

Para educar os jovens cariocas do século XXI, a Cidade deve olhar para os Ensinos Médio e Superior, momentos de transição do cidadão para a vida adulta. Em relação ao Ensino Médio carioca, é possível perceber que a Cidade apresentou ganhos significativos nos últimos anos. Entre 2009 e 2013, a taxa de evasão caiu para menos da metade, de 14 para 6%. No entanto, a taxa de conclusão no estado, apesar de estar acima da média nacional, ainda se encontra atrás de estados como São Paulo e Minas Gerais, mostrando que é possível melhorar.

A grade curricular do Ensino Médio no Brasil apresenta baixa carga horária e pouco espaço para matérias eletivas se comparada a de outros países de referência, como Singapura, por exemplo, onde os estudantes possuem mais opções para complementar sua formação.

 

 

“Nos últimos 3 anos, a quantidade de alunos que se formaram no Rio cresceu 11%.”

No Ensino Superior, considerado um requisito para entrada no mercado de trabalho de postos qualificados no Brasil, o número de alunos que se formaram em universidades no Rio cresceu 11% nos últimos três anos e é um dos maiores do país, porém ainda está abaixo de São Paulo e muito distante de países de referência, como o Reino Unido.

A importância do Ensino Superior é enorme, mas é fundamental ressaltar que a formação dos jovens não deve estar restrita somente a essa categoria. O Ensino Técnico no Brasil forma outro grande conjunto de profissionais, sendo um caminho mais direto para o mercado de trabalho. E, desde 2007, o Ensino Técnico cresce a uma taxa de 12% ao ano.

Além de pensar na quantidade de alunos formados, é essencial entender o ponto de vista dos empregadores sobre a qualidade da mão de obra egressa dos Ensinos Superior e Técnico para o mercado de trabalho. Apenas 30% dos empregadores consideram que os jovens estão bem preparados para trabalhar e 82% deles estariam dispostos a pagar mais por funcionários mais capazes, mostrando disposição dos empregadores para investir na qualificação de mão de obra. Em linha com essa tendência percebida, o Rio de Janeiro pode encontrar parcerias importantes para desenvolver um capital humano que impulsione a cidade para um futuro mais promissor.

 

 

 

 

Subtema 3: Cultura como promotora da cidadania

A capital cultural do País pode sempre mais

Como parcela importante da formação do carioca ao longo de sua vida, a cidadania precisa ser desenvolvida para que se crie uma cidade cada vez mais acolhedora e agradável aos seus cidadãos e visitantes.

Nesse contexto a cultura tem papel central, sendo uma forte ferramenta de promoção dos espaços, hábitos e peculiaridades da cidade. O Rio de Janeiro e sua extensa produção cultural, como o samba, a bossa nova e as obras da forte indústria criativa da cidade, são ativos com grande valor e capacidade para formar seus cidadãos.

Porém, quando se pensa em oferecer e promover a produção de cultura, é necessário levar em conta a territorialidade. Diferentes consumidores e produtores demandam diferentes formas de expressão cultural.

Uma cidade que tem arte por todos os lados precisa de cultura em todos os cantos.

 

 

Para que o impacto dessa produção alcance os cidadãos mais vulneráveis, oferecendo acesso equitativo, é importante que o circuito de produção local seja reconhecido e fortalecido. A Cidade ainda possui o desafio de oferecer e promover o acesso à uma cultura com impacto popular e social. O meio mais clássico de oferta cultural é através de equipamentos culturais, que no Rio estão concentrados na Zona Sul e Centro. Enquanto a Zona Sul concentra 59 salas de cinema e 69 teatros, a Área de Planejamento 5 (Zona Oeste excluindo Barra e Jacarepaguá) possui apenas 6 de cada. Da mesma forma, no Centro e Zona Sul, estão localizados 70 museus, número que se limita a 10 na Zona Norte e Oeste.

Contudo, a equidade de oferta cultural na cidade já começa a tomar forma com a política de descentralização dos pontos de cultura, fomentando ações territoriais que valorizam a cultura local. Por exemplo, das 49 ações chamadas Pontos de Cultura, desenvolvidas no Programa Cultura Vida do Ministério da Cultura em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, cerca de 60% se desenvolvem nas Zonas Oeste e Norte.

Recentemente, grande parte do investimento da Prefeitura do Rio de Janeiro tem sido voltado para grupos formais e informais que desenvolvem ações culturais de viés territorial. Isso provoca impacto positivo na qualidade de vida da comunidade e ajuda a caminhar no sentido do direito de acesso à cultura por todos.

O circuito de produção local deve ser reconhecido e fortalecido.

 

 

 

 

 

 

 

Subtema 4: Cidade modelo de respeito ao próximo e à diversidade

Respeito ao carioca, do jeito que ele é.

Aqui, tratamos da receptividade e acolhimento da Cidade bem como da pluralidade da população do Rio de Janeiro. O povo carioca é reconhecido internacionalmente por ser aberto e receptivo. Segundo ranking elaborado pela revista Forbes, o Rio foi escolhido como a cidade mais feliz do mundo, à frente de capitais mundiais como Melbourne e Paris.

Ao mesmo tempo em que o carioca é reconhecido mundialmente por suas qualidades hospitaleiras e alegres, o Rio tem o desafio de enfrentar a falta de civilidade em seu dia a dia em diferentes contextos.

É muito importante pensar a Cidade e o carioca que se quer para o futuro. Cidadãos devem monitorar os outros cidadãos para mudar o descaso com o espaço público.

O Rio é a cidade mais feliz do mundo.

Essa falta de civilidade presente no Rio de Janeiro repercute internacionalmente. Especialistas entrevistados durante o projeto afirmam que o Rio de Janeiro precisa modificar alguns de seus costumes para promover uma mudança cultural positiva. Para isso, alguns itens foram indicados:

  • Formação do cidadão;
  • Maior exposição e cultivo à cultura;
  • Monitoramento de cidadãos por outros cidadãos;
  • Fim da cultura do “tirar vantagem”.

O Rio é a cidade da alegria, dos encontros, da pluralidade e da diversidade. É isso que precisamos valorizar.

O povo carioca, além de ser reconhecido internacionalmente por sua alegria, também é bastante diverso e plural. No entanto, ainda sofre com preconceitos que devem ser superados. Segundo especialistas, devemos valorizar as diferenças e trabalhar a civilidade, a tolerância e a luta contra a discriminação de qualquer natureza, não importa o sexo, a orientação sexual, a cor da pele ou a religião.