Introdução

O que a gente espera do Rio.

- O sistema de cuidados e ações de saúde pública da Cidade serão suficientes, sustentáveis e de excelência para atender a todos os cariocas.
- Todos os cidadãos conviverão de maneira comunitária e harmoniosa, promovendo a cultura da paz e da civilidade.
- Os jovens cariocas serão exemplo de convivência harmoniosa e não farão parte de estatísticas de violência.

Rio de Janeiro: Fonte de Bem-estar, Qualidade de Vida e Dignidade

Para que o Rio de Janeiro alcance tudo que almeja para 2065, precisa entregar ao cidadão uma Cidade que ofereça bem-estar, qualidade de vida e dignidade.

Esse múltiplo significado acontece também com o conceito de qualidade de vida, que é a percepção que o indivíduo tem de seu papel no contexto da cultura e do sistema em que vive e mais ainda em relação aos objetivos e expectativas que persegue na vida.

Qualidade de vida é mais que uma vida saudável.

Para muitos estudiosos, a qualidade de vida é percebida na forma de indicadores da condição de saúde de uma população, mas entendemos que ela vai muito além disso. Está associada também a fatores como a convivência com outros cidadãos, o usufruto da cidade e um bom desenvolvimento social com cultura, lazer e esporte. Tudo isso proporciona sensação de bem-estar ao longo de toda a vida conforme o indivíduo envelhece.

Já a dignidade, no conceito constitucional brasileiro, é essencialmente o direito de todo ser humano ser merecedor de respeito e proteção, não importando sua origem, raça, sexo, idade, estado civil ou condição socioeconômica.
Na busca de que o carioca possa aproveitar a Cidade com condições essenciais ao seu bem-estar, sua qualidade de vida e sua dignidade, o Rio de Janeiro precisará vencer uma série de desafios, que você conhecerá dentro dessa Visão.

Os princípios da Visão (bem-estar, qualidade de vida e dignidade) devem estar presentes durante toda a vida do carioca de berço e de coração.
É com tudo isso em mente e com o objetivo de oferecer uma vida cada vez melhor aos cariocas que a Visão Rio 500 acontece. Portanto, a seguir apresentamos os temas:

 

 

 

 

Subtema 1: Promoção a uma vida saudável e ativa

Com saúde, o carioca vai longe.

Desde 2009, a Cidade do Rio de Janeiro, seguindo a política nacional de saúde estabelecida pelo Ministério da Saúde, em 1994, conhecida por Estratégia de Saúde da Família (ESF), passa por uma expansão sem precedentes do acesso à atenção primária.
A expansão fez com que a cobertura populacional das equipes de ESF completas passasse de 3,5% em 2008 para 47,2% em 2014, com previsão em torno de 70% de cobertura ao final de 2016. Os esforços nesta direção permitiram que a Cidade, que ocupava o penúltimo lugar no ranking de capitais brasileiras em 2008, avançasse 11 posições em 2014.

A atenção primária é capaz de atender entre 80 e 85% das necessidades de saúde de uma determinada população. Por esse motivo, a grande expansão vivida pela cidade nos últimos anos refletiu em melhorias de importantes indicadores de saúde.

Já a Rede Municipal de Atenção Hospitalar tem também seu papel estratégico na assistência à população carioca, particularmente no que se refere às emergências. No período 2009 a 2012, foram inaugurados dois hospitais, duas maternidades e 19 unidades de pré-hospitalar fixo (CER e UPA). O que fez com que:
- As internações na Rede Municipal saltaram de 108 mil, em 2008, para 130 mil em 2014.
- Nesse mesmo ano, as UPAs realizaram mais de 6 milhões de atendimentos e os CERs quase 2 milhões.
- Além disso, o estabelecimento do PADI (Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso) permitiu a implantação de 16 equipes, em seus diferentes formatos, capazes de atender, com uma abordagem mais humanizada, 1.000 pacientes por mês.

 

 

Os casos de acidentes e violência são a causa mais crescente de internação, tendo quase dobrado desde 2008.

A tripla carga de doenças que acometem a população é um mais um desafio. Atualmente, existem três grandes grupos de enfermidades pressionando o sistema de saúde da Cidade:

(I) Doenças infectocontagiosas, que representaram 7% das causas de internação em 2014;
(II) Doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, com expressivos 78% das internações;
(III) Causas externas (acidentes e violência) que foram 15% das internações.

Além disso, a gestão do sistema de saúde também representa um importante desafio. A governança da rede de serviços de saúde é particularmente complexa devido a dois fatores:

I) O número de estabelecimentos de saúde pública geridos pelas esferas estadual e federal, devido ao histórico da Cidade como capital do País e Cidade-estado. O Rio tem mais estabelecimentos de saúde federais e estaduais do que todas as demais capitais brasileiras. Essa realidade torna a gestão e coordenação dos leitos da Cidade bastante complexa, uma vez que os leitos disponíveis para os cidadãos são divididos em três esferas de gestão.

II) O papel do cidadão da Cidade na região metropolitana. Dentro da estratégia de regionalização da saúde do SUS, o Rio, como capital e maior cidade da região, recebe quase 13% de sua verba predestinada a atender cidadãos dos demais Municípios da região. Só que estes, no entanto, consomem 31% da verba realmente executada, gerando um déficit anual de cerca R$49,5 milhões de encaminhamentos de pacientes com necessidade de atendimento de média e alta complexidade.

 

 

 

 

Subtema 2: Cidade segura e de convivência harmoniosa

Por um rio de paz

A segurança é primordial para o bem-estar e a qualidade de vida de um indivíduo. Quando o cidadão tem a sensação de segurança, tem maiores estímulos para aproveitar mais a Cidade e se desenvolver melhor física, cultural e socialmente. Quando há falta de segurança, além do sofrimento individual, o coletivo é afetado.

Com a implementação de UPPs, muitos índices de segurança melhoraram.

No contexto da segurança pública do Rio, também se observa uma redução importante na taxa de homicídios. Em duas décadas, a redução foi de 74%, saindo de alarmantes 73 homicídios por 100.000 habitantes em 1994 para 19 em 2014. Com isso, o Rio ficou longe do primeiro lugar no ranking de capitais do Brasil, se observarmos exclusivamente essa taxa.
Contudo, mesmo a taxa de homicídio tendo sofrido drástica melhoria, ainda há muito para reduzir.

 

 

Além de afetar a vida dos cidadãos, a sensação de insegurança afeta também a dos visitantes. A cidade aparece mal colocada no índice de sensação de segurança como um parâmetro relevante para o turismo se comparada a outras cidades globais como Sydney, Toronto, Londres e Praga.

Estudos demonstram que existe uma curva etária de propensão ao envolvimento com crimes que mostra que aos 15 anos a curva passa a crescer de maneira acentuada e se mantém elevada até os 19 anos, quando começa a cair, e, após os 21 anos, cai drasticamente.
O conceito por trás da curva etária é de que os jovens estão mais vulneráveis a influências negativas no período da vida em que somos mais impulsivos e imaturos. Infelizmente, no Rio de Janeiro, aproximadamente 50% das pessoas apreendidas pela política têm entre 16 e 24 anos. Além disso, a faixa etária jovem de 15 a 29 anos ainda são as que mais morrem por causas externas no Município.

 

 

Para o futuro de paz do nosso Rio, é importante cuidar dos jovens que já cumprem medidas por comportamentos violentos. É preciso reintegrá-los à sociedade, oferecer oportunidades dignas e estimular a volta ao convívio de maneira harmoniosa com a Cidade, com seus cidadãos e com seus visitantes.

Garantir segurança a uma população é responsabilidade do Estado, mas o Município tem papel importante no ordenamento e no estímulo de uma convivência harmoniosa, bem como do respeito ao espaço público. Afinal, esses fatores também impactam a sensação de segurança.

Um estudo da Instituição Rio Como Vamos revela que a sensação de segurança do cidadão carioca vem caindo ao longo dos últimos anos. Quando questionados por quê, dentre os principais motivos, estão objetos de ordenamento, como presença de moradores de ruas e viciados e a falta de iluminação nos espaços públicos. Para a visão de futuro da Cidade, entendemos que o ordenamento é fruto de algo muito maior: a convivência harmoniosa entre os cidadãos e entre o cidadão e a sua própria cidade. Isso, portanto, deve ser estimulado através de políticas públicas abrangentes.

Apesar de a segurança pública não ser de responsabilidade direta da Prefeitura do Rio de Janeiro, o tema foi apontado como de grande importância para a população ouvida no processo de construção desse trabalho e, portanto, não foi negligenciado na visão de futuro da Cidade.

 

 

 

 

 

 

 

Subtema 3: Referência em redução das diferenças de acesso a oportunidades e direito

Chances iguais para nossa gente

Para o bem-estar e a dignidade de uma população, é extremamente relevante que todos tenham acesso a oportunidades e a tudo que lhes é de direito. Mais do que isso, os grupos mais vulneráveis da sociedade devem ter seus direitos ativamente garantidos por órgãos públicos como a Prefeitura.

A Cidade oferece muitas oportunidades, desde opções de lazer e esporte a opções de estudo, trabalho e desenvolvimento. No entanto, ainda é um desafio garantir o direito de acesso principalmente aos grupos da população considerados mais vulneráveis.

 

 

Por exemplo, especificamente entre a população jovem do grande Rio, segundo o IBGE, 22% nem estudam e nem trabalham, número superior à média nacional. Dentro de um contexto de envelhecimento da população e da necessidade de maior produtividade da população ativa, as atividades econômicas dos jovens merecem atenção especial.

As diferenças de acesso a oportunidades atingem também a população idosa do Rio, que requer atenção especial para obter as condições de vida de que necessita. Dos 10 bairros do Brasil com mais idosos, 8 estão no Rio de Janeiro, sendo que Copacabana é o primeiro neste índice, com 29% da população acima de 60 anos.

As diferenças de acesso a oportunidades ficam explícitas, também, entre a população que possui alguma necessidade física especial.
Destacamos esse grupo aqui por ser uma parcela importante da população que muitas vezes não tem seu direito de acesso à Cidade garantido. Hoje, no Brasil, segundo o IBGE, 24% da população apresenta algum tipo de necessidade especial.

 

 

 

 

Subtema 4: Envelhecimento ativo

A terceira idade carioca

Uma das maiores tendências globais do século que vivemos é o envelhecimento da população.

No Brasil, a pirâmide etária sofreu uma transformação radical em menos de um século. Já o Estado do Rio de Janeiro envelhece em ritmo ainda mais acelerado do que a média do país, com índice mais alto desde 2000 chegando a 2030 com índice de 103,5 enquanto o Brasil terá 76,4 segundo o IBGE.

 

 

A Organização Mundial de Saúde criou o conceito de cidade "amiga do idoso” para as cidades que se adaptam ao envelhecimento de maneira a prover adequações de moradia, transporte, participação social, respeito e inclusão social, participação cívica e emprego, comunicação e informação, apoio comunitário e serviços de saúde e espaços ao ar livre.

 

 

O Rio que ser uma cidade “amiga do idoso” e já começou a se adaptar ao envelhecimento da população.

A cidade que permite a sua população envelhecer ativamente estimula um curso de vida novo e mais complexo, em que há mais tempo para o trabalho, mais tempo de lazer ao longo da vida e não tão concentrado na aposentadoria, e ainda a volta do tempo para o cuidado com a família e o aprendizado contínuo.