Introdução

O que a gente espera do Rio.

- Em 2065, o Rio vai ser uma cidade zero carbono líquido.
- O Rio será uma referência global em resiliência até 2035.
- A Baía de Guanabara estará completamente despoluída até 2035.
- Toda a mata atlântica da Cidade será preservada por leis adequadas até 2035.

Cidade Verde, Sustentável e Resiliente

Por Sérgio Besserman
A combinação de natureza e construção existente no Rio de Janeiro é única e já seria um ativo de enorme valor em qualquer tempo da história.

Temos três grandes florestas, duas baías maravilhosas, um lindo sistema lagunar e um litoral oceânico espetacular e conhecido no mundo inteiro. Esses atributos naturais existem em outros locais, mas nem no presente, nem no futuro, imersos em uma cidade de 6,3 milhões de habitantes, numa região metropolitana de 12,5 milhões de pessoas. Além disso, aqui foi replantada pela primeira vez uma floresta tropical ainda no tempo do Império, ocorreu a Rio 92, a maior cúpula de chefes de estado da história até a COP21 em Paris, e a Rio + 20.

Mas não vivemos tempos quaisquer. O século XXI será inevitavelmente marcado pelo desafio do desenvolvimento sustentável, em um processo que mudará revolucionariamente a civilização humana. É o principal tema da agenda econômica, social e cultural das próximas décadas. Desse modo, o Rio, mesmo consideradas todas as suas mazelas ambientais, fruto de um estoque criado por séculos de descaso e incompreensão do valor desse ativo intangível para o desenvolvimento e o bem-estar dos cariocas, é a expressão do desafio da humanidade nesse momento histórico.

A VISÃO RIO 500 contemplou de forma ambiciosa, objetiva e concreta essa perspectiva de futuro, muito discutida entre todos os servidores da Prefeitura e membros da sociedade civil durante o planejamento estratégico.

Cidade verde porque ambicionamos manter essa combinação inédita de ambiente construído e natureza, corrigindo o histórico de degradação causado pelo descaso, assegurando proteção, recuperação e ampliação das áreas ambientais, corrigir a desigualdade no acesso ao "verde", arborizando partes da Cidade carentes de vegetação, que são também aquelas onde se concentra a maior parte da população de menor renda, e, principalmente, despoluindo nossos corpos hídricos, com destaque para a Baía de Guanabara e o sistema lagunar da Barra e de Jacarepaguá. De fato, embora a Baía de Guanabara abranja toda a região metropolitana, entendemos que seu processo de despoluição é condição necessária para que a Cidade do Rio possa se posicionar como referência global em sustentabilidade. Não fazê-lo seria uma leniência de impacto negativo definitivo sobre a marca da Cidade por caracterizar desinteresse ou incapacidade, em um mundo onde todas as grandes cidades com baías similares as terão despoluído.

Cidade sustentável antes de mais nada, significa estarmos sintonizados e sermos reconhecidos como vanguarda na grande transformação histórica do século, a construção do desenvolvimento sustentável. Mas significa também potencializar os vetores de desenvolvimento e de luta contra a desigualdade na Cidade. Eficiência energética, segurança hídrica, mobilidade funcional para todos, Cidade integrada, conectada e inteligente, zoneamento econômico-ecológico, planejamento urbano, potencialização da infraestrutura verde e os demais vetores de sustentabilidade foram considerados não como questões ambientais, mas como a essência do desenvolvimento que almejamos.

Cidade resiliente diz respeito a muitos fatores. O primeiro é a defesa da vida, equipando a Cidade para reagir rápida e eficientemente a qualquer evento que traga ameaça à integridade física dos cariocas, em especial da população nas áreas mais vulneráveis. Com a atuação da Defesa Civil e do Centro de Operações da Prefeitura, já somos referência nacional e exemplo no setor. Planejamento, tecnologia e sinergia na ação dos órgãos públicos são decisivos, mas a Visão considera indispensável capacitar toda a sociedade e cada cidadão para que possam agir com consciência das ações a serem tomadas e em sintonia com as decisões do Poder Público frente a cada evento impactante.

É uma oportunidade imperdível de consagrarmos a Cidade como uma referência global em sustentabilidade.

O Rio de Janeiro é também vanguarda no estudo dos impactos que elas trarão na cidade nos mais diversos aspectos, como elevação do nível do mar, risco geológico, saúde e muitos outros.
Além de na adaptação, o Rio tem se destacado na mitigação, no esforço global para evitar os piores cenários do aquecimento através da redução das emissões de gases de efeito estufa e na preparação da transição para uma economia de baixo carbono.

Somos referência na transição para o baixo carbono.

Na Visão Rio 500 participaremos como referência da transição para o baixo carbono não apenas porque esse é um imperativo ético das grandes cidades, responsáveis por mais de 70% das emissões totais de gases que esquentam o planeta, mas para fortalecer a competitividade global da

A Visão Rio 500, após os estudos técnicos necessários, definiu a meta ambiciosa, porém perfeitamente factível, de neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa até 2065. Um caminho e um grande símbolo do desejo de sermos uma cidade verde, sustentável e resiliente. Uma cidade melhor e para todos.

O tema de Cidade Verde, Sustentável e Resiliente está organizado em 4 pontos, que serão apresentados ao longo deste assunto:

 

 

 

 

Subtema 1: Desenvolvimento sustentável rumo ao carbono zero

O ar carioca livre do carbono

Apesar da emissão de gases de efeito estufa (GEE) não ser a única medida para monitorar a qualidade do desenvolvimento, é a principal métrica de acompanhamento. As emissões totais de GEE de uma cidade vêm de diversas fontes, como queima de combustíveis fósseis, decomposição de resíduos, processos industriais e variação da cobertura vegetal, entre outras. A Cidade do Rio de Janeiro já emite menos GEE per capita que a maior parte das grandes cidades do mundo devido à matriz elétrica do Brasil ser majoritariamente produzida por usinas hidrelétricas que apresentam baixo teor de emissões.

O Rio já emite menos GEE per capita que a maior parte das grandes cidades do mundo.

Além disso, em 2000, a Prefeitura do Rio foi pioneira em monitoramento periódico de emissões de GEE, com inventário realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. O acompanhamento permitiu compreender as principais emissões e, por consequência, buscar projetos que reduzam ou evitem novas emissões de GEE ao longo dos anos.
Mesmo com tanto esforço, a economia crescente do Município nos anos de preparo para os Jogos Olímpicos e o concomitante início de operação de uma usina siderúrgica fizeram com que as emissões aumentassem. Apesar disso, porém, o Rio permaneceu bem abaixo de grande parte das grandes cidades do mundo.

 

 

Em busca da redução de emissões para se tornar uma cidade mais sustentável, o Rio de Janeiro estabeleceu, em 2011, um compromisso com a diminuição das emissões, sendo uma das únicas cidades do Brasil com meta definida por meio de Lei Municipal.

Para melhorar o cenário das emissões dos transportes, a cidade já vem investindo em meios de transporte coletivos menos poluentes e em soluções que desestimulam o uso do veículo individual.

 

O principal avanço foi com iniciativas como o BRS e o BRT (Bus Rapid System e Bus Rapid Transit), que contribuem bastante por terem maior capacidade e andarem caminhos mais longos com menos frenagens.
Além disso, o grande projeto do Porto Maravilha inclui o fechamento de ruas para a circulação de veículos individuais e a instalação do VLT (Veículo Leve sobre os Trilhos).
Por fim, um grande investimento tem sido feito em quilômetros de ciclovias, permitindo que o Rio de Janeiro se torne a cidade com maior extensão cicloviária da América Latina.

O Rio é a cidade com maior extensão cicloviária da América Latina.

 

 

Em total, essas ações contribuíram para evitar 79,6 mil toneladas de CO2 equivalente em 2012 e mais 525 mil toneladas de CO2 equivalente até 2016.

Outra tendência na cidade é a de construções mais sustentáveis em obras mais novas e a crescente adoção de padrões sustentáveis como, por exemplo, a utilização de painéis solares, tetos verdes, oferecimento de tomadas para o uso de veículos elétricos, iluminação LED e elevadores que renovam uma porcentagem da energia que consomem.

Observada internacionalmente, outra tendência é a criação dos chamados “Distritos Verdes”. Eles utilizam diferentes tecnologias nas construções e um planejamento urbano inovador para diminuir o uso de recursos naturais e poluição.

Os “Distritos Verdes” têm planejamento Urbano inovador e diferentes tecnologias nas construções.

De acordo com estudo da McKinsey & Company (Building the Cities of the Future with Green Districts), as experiências existentes com "Distritos Verdes" têm demonstrado o potencial de reduzir o consumo de energia de 20 a 40%, o uso de água de 60 a 65% e o uso de veículos particulares de 50 a 80%.

Já os resíduos sólidos não são um desafio para a sustentabilidade apenas pela emissão de gases de efeito estufa, mas também por sua produção crescente. Também há cada vez mais dificuldade de encontrar locais para que sua disposição aconteça adequadamente.

Estima-se que 40% do volume de resíduos sólidos produzidos poderiam ser reciclados, porém menos de 3% passa pelo processo de reciclagem. A coleta seletiva tem seus desafios, chegando hoje a 113 dos 160 bairros do Município.

 

 

 

Subtema 2: Resiliência às mudanças climáticas, minimizando danos e salvando vidas

Jogo de cintura para lidar com as mudanças climáticas

Já podemos observar o impacto de mudanças climáticas em nosso município. Mesmo que ainda esteja sendo mapeado, já há indicações preliminares de quais são as principais ameaças para a vida do carioca, tal como indicado a seguir:

Chuvas intensas e deslizamentos
Hoje há cerca de 18 mil imóveis em 117 comunidades que estão em áreas consideradas de alto risco de escorregamento.

Elevação do nível do mar
O Rio de Janeiro tem aproximadamente 30Km2 de área vulnerável à redefinição de linha de encosta pela elevação do nível do mar segundo projeção do Instituto Pereira Passos para o ano 2100.

Ilhas de calor e qualidade do ar
As áreas quentes na cidade aumentaram nas últimas décadas devido a
características de uso do solo decorrentes da urbanização. Contudo, as florestas, os parques e as praças da Cidade ainda atuam como ilhas de frescor importantes.

Dengue e outras epidemias
Conforme apontado pela Organização Mundial da Saúde: "mudanças no padrão de transmissão de doenças infectocontagiosas são uma provável grande consequência das mudanças climáticas".

Ventos fortes e Secas prolongadas
E, por fim, os ventos fortes e as secas prolongadas apresentam uma ameaça à Cidade, como exemplo, há o que impactou todo o Sudeste do Brasil em 2015 e causou escassez de água em diversos municípios.

 

113 comunidades já dispõem de sirenes que são acionadas em caso de chuvas fortes.

Ao todo, 7.500 crianças foram treinadas sobre o básico de defesa civil nas escolas municipais, e 113 comunidades hoje dispõem de sirenes que são acionadas em caso de chuvas fortes e abrigos capazes de receber os cidadãos após a evacuação de suas casas. E, em 2014, a cidade iniciou o desenvolvimento de uma estratégia de resiliência, por meio do Rio Resiliente e do Centro de Operações Rio.

 

 

 

 

Subtema 3: Cidade das águas: praias, baías, lagoas e rios saudáveis

O rio das águas

O Rio de Janeiro é fortemente marcado pela presença de seus corpos hídricos, com aproximadamente
165 km de costas oceânicas, mais de 2.000km de rios e 13 milhões de m2 de lagoas, além de suas duas baías, uma delas, a Baía de Guanabara internacionalmente reconhecida como uma das baías mais bonitas do mundo.
Os corpos hídricos são, infelizmente, mal aproveitados devido à frequente poluição. Isso pode ser comprovado, por exemplo, pela qualidade média das praias, conforme demonstrado pelo quadro a seguir.

 

 

Grande parte dessa poluição é causada pela ausência de saneamento básico. O Município do Rio de Janeiro ocupa apenas a 56ª colocação no ranking das 100 maiores cidades do Brasil em parâmetros de saneamento básico elaborado pelo Instituto Trata Brasil1.

Além do desafio da poluição, o Rio enfrenta outro com relação a seus corpos hídricos: entre as maiores cidades do mundo, é a 9ª em maior estresse hídrico segundo estudo do The Nature Conservancy.

Instituto Trata Brasil

1 Ranking de saneamento Instituto Trata Brasil –Composição da nota: % atendimento de água, % atendimento total de esgoto, % esgoto tratado por água consumida, % de investimento por arrecadação, % novas ligações de água por ligações faltantes, % novas ligações de esgoto por ligações faltantes, % de perdas totais e nota de evolução nas perdas.

 

 

Isso porque a cidade passa por períodos do ano em que a demanda por água é maior do que a oferta e ainda há restrições ao uso da água potável disponível na cidade devido à poluição.
Ter uma única fonte representa ainda um risco alto devido à relação de dependência que se estabelece. Além de tudo, um agravante: dois terços da água recebida pelo Guandu não é consumida, 48% são perdidos devido à poluição. E ainda cerca 40% se perdem no sistema de distribuição da cidade.

 

 

 

 

Subtema 4: Verde urbano: ativo social, econômico e humano

Rio que te quero verde

O Rio de Janeiro é o único município do mundo considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO dentro da categoria “Paisagem Cultural” desde 2012. Os componentes que integram tal patrimônio são:

  • Setores Floresta da Tijuca, Pretos Forros e Covanca do Parque Nacional da Tijuca.
  • Setor Pedra Bonita e Pedra da Gávea do Parque Nacional da Tijuca.
  • Setor Serra da Carioca do Parque Nacional da Tijuca e Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
  • Entrada da Baía de Guanabara e suas bordas-d'água desenhadas: Passeio Público, Parque do Flamengo, Fortes Históricos de Niterói e Rio de Janeiro, Pão de Açúcar e Praia de Copacabana.
  • A paisagem natural se mescla com 6,5 milhões de pessoas e as intervenções humanas.

 

 

O Rio tem a maior floresta urbana do mundo.

O “verde” é componente essencial do Rio. São aproximadamente 360 milhões de metros quadrados de área verde na Cidade totalizando cerca de 58 m2 de área verde por habitante, um dos melhores índices entre cidades globais. Contudo, 48% dessas áreas verdes é composto pelos os três maciços florestais: a Floresta da Tijuca que é a maior floresta completamente em um único perímetro urbano do mundo, a floresta da Pedra Branca e a do Mendanha.

Excluindo as áreas desses maciços, a cidade passa a ter 30 m2 de área verde por habitante, patamar mediano a nível global. Existe um grande potencial de ampliação da cobertura verde da cidade, conectando os maciços florestais para que possam melhor cumprir o seu papel de preservação da biodiversidade e ampliando a arborização dos nossos parques e jardins.

Os benefícios da arborização são imensos, entre eles a redução da temperatura, o que oferece ilhas de frescor, a preservação de encostas e mananciais, a melhoria da qualidade do ar, além da valorização de regiões da cidade.
A qualidade do ar do Rio está acima da média de outras cidades da América Latina, contudo, a tendência para o futuro não é positiva. Os dias com qualidade “boa" diminuíram de 55 para 45% entre 2011 e 2012, enquanto “regular", "inadequada" e "má" aumentaram.

O cultivo de alimentos também contribui para o verde urbano.

Hoje, o Município conta com uma área rural que totaliza 9.200 trabalhadores na Zona Oeste que produzem, entre outros vegetais, aipim, caqui, banana, coco, chuchu e inhame, entre outros. Ainda, existe um cinturão importante nos entornos da cidade. Na área metropolitana, os pequenos produtores da Região Serrana produzem mais da metade da oferta de folhosas.

Essa preocupação com a produção de alimentos dentro da própria cidade é uma tendência. Tanto que locais sem grandes áreas disponíveis têm buscado soluções inovadoras para tal.