Introdução

O que a gente espera do Rio.

- A Cidade será o mais importante centro de geração e uso aplicado de conhecimento, onde pesquisa e inovação atrairão setores de alto valor agregado.
- O Rio se tornará referência na prestação de serviços através da valorização da excelência nos processos de trabalho.
- O Rio será a cidade modelo da ambiente favorável à atração de investimentos.

Cidade Competitiva, Inovadora e de Oportunidades

Escrito em colaboração com Luiz Chrysostomo

O tema “Cidade Competitiva, inovadora e de oportunidades” aborda a questão central de como a cidade crescerá economicamente nas próximas décadas e como podemos fomentar esse crescimento.

Atualmente, o Rio de Janeiro é o 2º polo econômico do Brasil apoiado por um polo industrial diversificado em setores como petróleo, farmacêutico e bebidas. Da mesma maneira que as principais economias do mundo passam por um processo de desindustrialização, o Rio de Janeiro também tem vivido essa transformação, com sua matriz econômica cada vez mais apoiada em serviços. O grande desafio que se apresenta agora é o de crescer em setores com maior valor agregado.

O Rio de Janeiro se tornará um polo de atração de investimentos.

A construção de uma cidade competitiva, inovadora e de oportunidades, que é capaz de prover emprego e renda para seus cidadãos, passa tanto pela discussão de desenvolvimento de setores específicos como por ações transversais que aumentem a competitividade da Cidade.

Todos esses avanços farão com que o Rio de Janeiro se torne um verdadeiro polo de atração de investimentos e geração da renda.

O estabelecimento de uma matriz econômica para promoção de emprego e renda dignos, com uma adequada distribuição de setores, permitirá o crescimento sustentável da Cidade. A estipulação da matriz econômica não consiste em apostas em determinados setores, mas sim no reconhecimento daqueles que possuem alto potencial e vocação para aproveitar as características da Cidade. O desenvolvimento do capital humano e a excelência nos processos de trabalho permitirão o aumento da produtividade do carioca e facilitarão a vinda de indústrias que necessitam de mão de obra qualificada. Esse ponto é especialmente importante por causa de mudanças advindas do maior uso de tecnologia e automação, que têm modificado a dinâmica econômica de diversos setores.

O Rio de Janeiro se tornará um polo de atração de investimentos do mundo inteiro e competir diretamente com grandes cidades de países desenvolvidos, tornando-se uma ótima escolha para a instalação e desenvolvimento de grandes empresas.

A gestão pública será eficiente e transparente, deixando claras “as regras do jogo” e usando os mesmos pesos e medidas para todos. O Rio será mais fácil e atraente para os negócios e a fiscalização funcionará de modo integrado e inteligente.

A Visão Rio 500 foi construída com a crença de que as cidades são cada vez mais protagonistas do seu desenvolvimento econômico e de que o resultado do avanço do Rio nesses 3 subtemas será uma cidade competitiva, inovadora e de oportunidades que permitirá que os cidadãos cariocas atinjam seus sonhos.

"Escrito em colaboração com Luiz Chrysostomo"

O tema de Cidade Competitiva, Inovadora e de Oportunidades está organizado em 3 subtemas, que se dividem em:

 

 

 

 

Subtema 1: Matriz econômica para promoção de emprego e renda dignos

Uma cidade só cresce com trabalho

Na última década, o Rio de Janeiro viveu um momento de crescimento econômico acelerado em linha com o Brasil. Apresentou, entre 2003 e 2013, um crescimento médio de 13% ao ano em sua massa salarial e uma geração de mais de 800 mil empregos formais.

A geração de empregos foi puxada principalmente por setores que fazem uso intensivo de mão de obra, como comércio, atividades administrativas e construção civil (bastante influenciado pelas transformações urbanas da Cidade e da preparação para Copa do Mundo e Jogos Olímpicos). Em setores de maior valor agregado, como serviços especializados, saúde e serviços sociais e informação e comunicação, o Rio também apresentou um crescimento do número de vagas acima da média do Brasil.

 

 

Apesar desse avanço, a matriz de empregos do Rio de Janeiro ainda é bastante sustentada por setores de baixa qualificação e muitos especialistas apontaram o desafio de fortalecê-la. A curto prazo, isso é ainda mais importante já que muitos desses setores podem reduzir suas atividades pós-ciclo olímpico, e por isso é fundamental que a cidade pense em formas de reinserir trabalhadores dispensados no mercado de trabalho.

Olhando para o futuro, como o Rio pode capacitar sua população e melhorar o perfil dos empregos da Cidade?

Já de longo prazo, o Rio ainda tem um longo caminho a percorrer na geração de empregos de alto valor agregado e maiores salários. As indústrias extrativas, de eletricidade e gás, financeira e de telecomunicações geram empregos de alta renda para a Cidade, mas não são suficientes para sustentar a economia da Cidade.

Nos diversos fóruns e entrevistas realizados durante a elaboração da Visão e do Plano, especialistas, empresários e servidores identificaram os setores em que o Rio tem maior potencial de crescimento:

  • Economia criativa, incluindo audiovisual, design, jogos eletrônicos.
  • Turismo, incluindo grandes eventos, turismo de negócios e conferências.
  • Saúde e ciências da vida: serviços voltados à saúde, pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia e empresas farmacêuticas.
  • Financeiro, principalmente em seguros e resseguros e gestores de recursos.
  • Outros setores:
    • Tecnologia e inovação, com foco na promoção de atividades empreendedoras e pesquisa e desenvolvimento, aproveitando-se de centros de excelência em pesquisa.
    • Energia e sua cadeia produtiva, incluindo não apenas óleo e gás, mas também energia solar e outras fontes renováveis.
    • Logística e serviços de infraestrutura: desenvolvimento da capacidade logística para que outros setores possam se desenvolver, incluindo melhor aproveitamento do potencial imobiliário.

 

Economia criativa

A vocação do Rio para a economia criativa foi bastante enfatizada por diversos especialistas. O Rio possui diversas âncoras importantes para a cadeia produtiva como por exemplo, a Rede Globo, a Rio Filme e grandes patrocinadores como Vale e Petrobras. O ecossistema do Rio para esse setor se desenvolveu bastante com uma concentração de mão de obras e talentos em audiovisual, artes e outros subsetores da cadeia produtiva.

Mesmo sendo uma das principais cidades brasileiras nesse setor, ainda há um grande potencial de crescimento que pode ser explorado. Enquanto o setor criativo emprega cerca de 2,2% da população carioca, em Los Angeles cerca de 14% da população está em atividades associadas ao setor. Além do audiovisual, subsetores como jogos eletrônicos (ainda incipiente no Rio), design e moda aparecem sempre em destaque.

O Rio tem vocação para economia criativa.

A economia criativa carece de um maior número de profissionais com alto nível de capacitação, um melhor monitoramento das atividades e mapeamento dos seus subsetores (muitos com alto nível de informalidade), além da regulamentação de novas tecnologias e formas de financiamento.

 

Turismo

O potencial do setor do turismo no Rio de Janeiro é um consenso. A paisagem natural da cidade combinada com seu patrimônio histórico e urbano faz com o que o Rio consiga atrair diversos segmentos de turistas.

Nos últimos anos, a cidade modernizou grande parte de sua infraestrutura urbana e se preparou para receber grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016).

Entretanto, apesar de toda a conjuntura favorável, o Rio ainda não consegue desenvolver plenamente esse potencial turístico.

Para que consiga atrair mais turistas e gerar mais renda para a cidade, é importante elaborar um plano estratégico para o setor com uso de comunicação e a criação de marcas e produtos customizados para os principais mercados emissores.

A cidade, além de possuir todos os atrativos turísticos já tão conhecidos, será a única da América Latina a possuir tal infraestrutura. Uma vez que a série de grandes eventos tenha terminado, ela poderá passar a sediar eventos menores, porém mais recorrentes, de forma a atrair turistas constantemente e aproveitar os equipamentos esportivos da cidade.

Ainda há importantes barreiras ao turismo a serem enfrentadas, como a segurança pública. É necessário aumentar a sensação de segurança e atrair um número considerável de turistas que hoje não vão à cidade por considerá-la insegura, além da qualidade dos serviços, que possibilitam o melhor aproveitamento dos atrativos naturais da cidade.

 

Saúde e ciências da vida

Esse setor é altamente intensivo em pesquisa e desenvolvimento e envolve uma série de atividades, incluindo farmacêutica, terapêutica personalizada, células tronco e medicina regenerativa, imagem e aparelhos médicos, biomateriais, bioinformática, nanotecnologia, serviços de suporte a farmacêuticas e instituições de educação e pesquisa.

Muitas empresas farmacêuticas têm atividades no Rio, em particular em Jacarepaguá; empresas de equipamentos médicos também estão presentes, como a GE Healthcare; e instituições e ensino e pesquisa de ponta como a Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Vital Brazil, além de universidades como UERJ, UFRJ, UFF e UENF, que têm departamentos focados no estudo de ciências da vida com cursos de graduação, pós-graduação e pesquisa. O Rio conta também com a Bio-Rio, um polo para apoiar e incubar empresas do setor.

O Rio tem uma vantagem competitiva no setor, pois conta com importantes centros de pesquisa e conhecimento especializados já instalados na cidade.

 

Financeiro

Nas últimas décadas, apesar do eixo da indústria financeira brasileira ter se deslocado do para São Paulo, o Rio tem um papel protagonista em segmentos importantes como o setor de seguros e resseguros e gestão de ativos.

A Cidade é capaz de fortalecer alguns segmentos no setor financeiro.

O Rio possui um papel relevante no setor financeiro e pode desenvolver um polo financeiro, mesmo com a sombra projetada por São Paulo que concentra o setor. Assim como Boston e São Francisco têm atividades complementares a Nova York, o Rio pode sim fortalecer os segmentos em que possui maior força no setor financeiro.

"No setor de gestão de ativos, o Rio tem condições também de aumentar sua participação já bastante relevante: concentra um quarto de todos os recursos sob gestão profissional 3 e abriga mais de 40 instituições dedicadas a gestão de fundos de investimentos em participação."

3 Depois dos Jogos – Pensando o Rio para o pós-2016.

 

 

 

 

Subtema 2: Desenvolvimento do capital humano e excelência no processo de trabalho

O rio vai mais longe quando o carioca produz melhor

Uma das principais barreiras para o desenvolvimento econômico do Brasil – e no Rio de Janeiro não é diferente – é a baixa produtividade do trabalho. O crescimento do PIB pode vir da margem extensiva, ou seja, do aumento da força de trabalho, ou da margem intensiva, aumento de produtividade dos trabalhadores.

A perspectiva é de que a população não continuará a crescer por muito tempo. A tendência demográfica da Cidade do Rio de Janeiro é de envelhecimento mais rápido do que a média nacional e isso torna as melhorias de produtividade ainda mais importantes e a única forma de a Cidade continuar gerando mais renda.

A pavimentação das melhorias nas questões de segurança e ordem pública acaba tendo um efeito indireto na formalização do trabalho, o que poderá beneficiar significativamente a Cidade. De maneira geral, a insegurança e a desordem pública dificultam o acesso de órgãos públicos e empresas. Um dos primeiros fenômenos que aconteceram com a pacificação de comunidades foi a ocupação real do Estado, com a instalação de UPPs, UPAs e outros equipamentos para fornecimento de serviços públicos. Em um segundo momento, as empresas passaram a oferecer de maneira mais adequada serviços como fornecimento de luz, telefonia, televisão a cabo e gás de cozinha.
O Rio precisa gerar mais empregos formais e capacitar pessoas para que assumam essas vagas.

 

Cultura de excelência em serviços

A percepção dos cariocas também indica que a cultura de prestação de serviços no Rio de Janeiro ainda tem muito a melhorar. Especialistas sugerem que a prestação de um serviço com excelência não é tão valorizada no Rio quanto em outras cidades e não sendo uma prioridade. De acordo com eles, valoriza-se muito ainda a simpatia e a informalidade, o valor está mais associado a ser acolhedor, alegre e leal. Essa falta de valorização da excelência faz com que os empresários tenham dificuldade para contratar bons prestadores de serviços.

 

 

Educação para o desenvolvimento do capital humano

A melhoria do capital humano e da produtividade no Rio de Janeiro passa por uma série de ações que envolvem desde a educação básica até programas de pesquisa aplicada e pós-graduação. São ações de melhoria, como maior contato entre institutos de pesquisa e setor de privado e melhorias na educação básica para que se consiga melhorar o diálogo com as necessidades do mercado de trabalho.

No entanto, há um contingente de trabalhadores formados sem as qualidades fundamentais exigidas pelo mercado. No setor privado, empresas se queixam da formação da mão de obra, porém investem pouco nos seus trabalhadores.

A solução estrutural para o problema é começar a educar melhor a próxima geração de trabalhadores. Para isso, é importante identificar os problemas com educação atual, mas também ensinar habilidades que se tornam cada vez mais fundamentais. Alguns países, por exemplo, têm instituído o ensino de linguagens de programação, robótica, línguas, empreendedorismo a partir da educação básica.

Um modelo interessante já foi aplicado em algumas indústrias: as escolas modelo. Além disso, a simples presença de centros de pesquisa e universidades não necessariamente se traduz em inovação e conhecimento aplicado. É preciso que academia e setor privado compartilhem mais conhecimento. O número de pedidos de patentes no Rio de Janeiro é muito baixo quando comparado a cidades inovadoras como Seattle, Estocolmo ou Boston.

 

Subtema 3: Rio de Janeiro como polo de atração de investimentos

A cidade que atrai os olhos do mundo pode atrair muito mais investimento

Nos últimos anos, impulsionado pelas Olimpíadas e pela Copa do Mundo, o Rio de Janeiro trouxe investimentos significativos que viabilizaram grandes obras estruturais de mobilidade urbana, e melhoria urbanística.

Além de movimentarem bilhões de reais e melhorarem profundamente a infraestrutura da Cidade, essas obras contribuíram para a economia da cidade, gerando mais renda e oportunidades. Essas experiências possibilitaram que a Cidade aperfeiçoasse muito sua capacidade de envolver o setor privado em obras voltadas para melhorias da cidade e, com modelos de financiamento inovadores, conseguiu realizar muito mais do que seria possível apenas com recursos públicos.

 

O Rio pode continuar evoluindo em sua capacidade de fazer parcerias entre o público e o privado para melhorar a Cidade.

Além de atrair investimentos na cidade, outra forma de estimular o crescimento de empresas e da inovação é o desenvolvimento de startups. O Rio tem condições favoráveis para o desenvolvimento de novas empresas, como a concentração de universidades e de mão de obra qualificada e uma cadeia tecnológica de startups crescentes como incubadoras, aceleradoras e fundos de investimento no setor.

 

 

Desafios do ambiente de negócio

Para facilitar e estimular o investimento na Cidade, a Prefeitura criou a Rio Negócios. Seu objetivo é aprimorar o ambiente de negócios e atração de empresas, contribuir para o desenvolvimento econômico e da imagem do Rio, mapear tendências e vocações da Cidade, produzir informações sobre oportunidades de investimentos e apoiar investidores. Até hoje, a agência já assistiu mais de 5 mil negócios em 14 setores da economia. Esses negócios equivalem a aproximadamente US$ 3.5 bilhões investidos e geraram 16 mil empregos.

Entretanto, apesar dos significativos avanços, há uma série de obstáculos e dificuldades enfrentadas por investidores, empreendedores e pessoas que querem fazer negócios no Rio. O Banco Mundial calcula um índice de facilidade de fazer negócios, o Doing Business. Se fosse um país, o Rio de Janeiro seria apenas o 108º lugar do mundo, enquanto o México (melhor país da América Latina em 2015) está em 38º lugar.

 

 

Muitas das dificuldades do ambiente de negócio do Rio são reflexos de legislação estadual e federal, como alguns impostos e legislação trabalhista.

A burocracia ainda atrapalha os negócios.

Outras dificuldades são específicas do Rio de Janeiro, como a necessidade de se realizar procedimentos cartoriais e presenciais e a falta de uma interface única para isso. Outro obstáculo é a lei de zoneamento da Cidade que não está atualizada e não contempla a dinâmica atual dos negócios.

Outra importante barreira para fazer negócios no Rio é a falta de confiança na fiscalização. Há muita informalidade e a fiscalização muitas vezes não é vista como justa ou eficaz, e desestimula o empresário que busca seguir todas as regras, pois ele pode perder competitividade frente a outros. O esclarecimento das regras, sua fiscalização e a garantia de que as leis serão impostas a todos são fatores muito importantes para conferir a confiança que o empresário precisa para se instalar na Cidade.

Além disso, há falta de clareza na informação, o “passo a passo” e até as regras não estão claras, gerando incertezas que desestimulam investimentos.